Bradesco BBI usa crédito e cresce
Banco de investimento: Linhas ajudam a ganhar transações de fusões e emissão de ações
Valor Economico |
"O Trabuco é aficionado pela baixa renda". A frase, dita por um dirigente do Bradesco, se refere a Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente da instituição financeira desde março de 2009. Com o foco nas classes emergentes -a classe D que está virando C-, o mercado passou a se perguntar o que seria do Bradesco Banco de Investimento (BBI), que atende às companhias médias e grandes. Mesmo antes de Trabuco, os concorrentes já diziam que o "Bradescão", o gigante do varejo, não tinha cultura na área de banco de investimento. Seu DNA era inexoravelmente outro. A maior parte de seus importantes executivos começa de baixo, nas agências de atendimento à pessoa física, e não estuda no exterior nem sabe inglês, diferentemente do que acontece com os tradicionais líderes de banco de investimento no país. A vitória de Trabuco na disputa pela presidência do Bradesco e a abertura da agência da favela de Heliópolis seriam mais sinais nessa mesma direção, segundo esses concorrentes. "O Trabuco é aficionado por resultados e o BBI é muito rentável", retruca Norberto Barbedo, o vice-presidente do Bradesco que antes era responsável pela área de crédito do banco e na gestão Trabuco assumiu o BBI. Durante o ano passado, o BBI teve um total de receitas (incluída a intermediação financeira, prestação de serviços e outras receitas operacionais) de R$ 839,4 milhões, informa o banco. Nesse total, não está incluída a área corporate, que fica fora do BBI. "Neste ano, vamos crescer mais", diz. "Nosso objetivo é ficar em primeiro lugar no mercado", afirma Barbedo. "Temos um balanço grande, muito capital e liquidez disponíveis e podemos passar cheques de R$ 1 bilhão a R$ 2 bilhões para clientes maiores sem problemas", frisa Barbedo. Nisso, ele e seus concorrentes concordam: o Bradesco tem usado seu poder de crédito como uma arma na disputa contra os bancos de investimento puros no país. Os nacionais, como o O crédito aproxima o Bradesco das corporações no momento que elas mais precisam e permite ao banco alavancar transações de fusões e aquisições, de assessoria em emissão de ações ou até de bônus no exterior. Não é à toa que o banco vem galgando posições em rankings da área. Diferentemente de Trabuco, Norberto não é um homem com formação típica do Bradesco. Veio de um banco de atacado comprado pelo Bradesco, o O Bradesco BBI não montou estruturas de derivativos como "target forward" que levaram companhias como a Os concorrentes dizem que um dos pontos fracos do BBI é justamente a pouca criatividade e agilidade na criação de produtos mais sofisticados de tesouraria para clientes. Barbedo nega. Argumenta que Angela Zago, hoje a responsável pela criação desses produtos, é muito experiente e ativa. E afirma: "Não somos conservadores, temos bom-senso". Barbedo foi contra a montagem dessas estruturas complexas de derivativos mesmo quando as empresas clientes, em 2007 e 2008, pediam. "Isso virou uma commodity: até rede de farmácia tinha", diz. "Tivemos muita pressão da base e de nosso próprio pessoal e se não fizemos esses derivativos não é porque não saíamos como", argumenta. Hoje, diferentemente do que aconteceu quando foi criado, o BBI não tem tesouraria própria. É um contraste importante com o concorrente Barbedo explica, no entanto, que o Bradesco criou um comitê que se reúne semanalmente na avenida Paulista, sede do BBI, com sete pessoas. Parece uma espécie de comitê dirigente da área corporate. Dele participam além de Barbedo o vice-presidente responsável pela tesouraria do banco como um todo, Júlio Araújo, Sérgio Clemente, diretor executivo responsável pela área corporate, Luiz Galvão, diretor gerente do BBI responsável pelas corretoras, e Fábio Mentone, diretor gerente do BBI responsável pela área de banco de investimento. "Com o comitê, conseguimos muita agilidade na originação", diz. Afinal, segundo ele, "a marca Bradesco tem um peso importante: tem muita transação que cai no nosso colo", brinca. O banco tem relacionamento com 1,3 mil grupos corporativos e mais de 23 mil empresas no país. |


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